Ajude a mulher do autor a viajar.

Essa recomendação?Vocês vão amá-la...

Esse post faz parte da campanha “Ajude a Mulher do Autor a Viajar” e tem como objetivo motivar meus milhões (?!) de leitores a adquirir o livro QUANDO O PODER CORROMPE, CORROMPE A NÃO MAIS PODER. A autoria da obra, para quem ainda não sabe, é do maridão da blogueira. E toda a renda será revertida em benefício da própria – que a transformará rapidamente em passagens aéreas.

Agora falando sério: pincei cinco ou seis frases das 600 que compõem o livro só pra dar uma mãozinha pro rapaz (mesmo porque uma mãozona já deu o Riq!).

Ah, como vocês vão ver, meu critério de seleção foi bastante coerente com o post: viagens, lugarejos, essas coisas.

- Costa Azul: Região de onde se costuma voltar no vermelho.

- Do sábado de carnaval até a quarta-feira de cinzas, o Rio de Janeiro pára. Da quarta-feira de cinzas até o sábado do carnaval seguinte, o Rio de Janeiro continua parado.

- A diferença entre São Francisco e Nápoles é que, em São Francisco, se você esquecer um celular e um livro no carro, é provável que roubem o livro. Em Nápoles, é certeza que levam o carro.

- Por que é que, nos desembarques aéreos, chegam primeiro as malas das pessoas que chegam por último?

- Na Itália, horário comercial é o período de tempo em que as pessoas estão esperando ou digerindo o almoço.

- O coqueiro sempre esteve ligado à idéia de preguiça tropical: não é de admirar que ele seja uma das poucas árvores que produzem sombra e água fresca.

- Atenção, pelegrino: se a coincidência toponímica quer dizer alguma coisa, é para Santiago do Chile, não de Compostela, que os céus esperam que tu Andes.

- Não se deixe iludir pelos falsos privilégios: a primeira fila da classe econômica é tão classe econômica quanto a última.

Tá bom, não foram seis frases: foram oito. Mas ainda existem outras 592 à sua espera. E eu já estou arrumando as malas…

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A banalidade do mal.

É a expressão de Hannah Arendt que me vem à cabeça enquanto visito Auschwitz: o extermínio de 1.1 milhão de seres humanos levado a cabo por burocratas que “cumpriam ordens”.

Mas não ouso falar disso – mesmo porque, sobre essa fatídica localidade ao lado de Cracóvia, não há nada que já não tenha sido dito. O que quero contar é a minha pequena, específica, pessoal e restrita experiência.

Fui lá pra tentar descobrir sorte de meus avós – fato que até agora desconheço. O processo não demorou mais do que 10 minutos e foi conduzido por um sensível funcionário que me tratou como se meus familiares tivessem desaparecido ontem. Fui informada que duas pessoas com o mesmo nome de meu avô tiveram a infelicidade de ter passado pelo campo. A primeira, em função da data de nascimento, tratava-se seguramente de um homônimo.  A segunda, cujo registro não continha data de nascimento, obviamente deixou uma grande dúvida. Que o mesmo funcionário se apressou em eliminar, fornecendo-me organizações às quais dirigir minhas perguntas. Aprendi que são três as entidades com arquivos ainda mais completos sobre o holocausto: a primeira em Israel; a segunda na Alemanha; e a terceira nos EUA.

Claro que já me perguntei mais de uma vez porque estou fazendo isso. A resposta é muito simples e dispensa elaborações: toda família sabe quase tudo sobre as duas gerações que a precederam.  Eu e minha (reduzida) família queremos saber também.

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Finalmente um lugar onde não preciso soletrar meu nome.

Repartição pública : só muda a língua.

Gê de gato; Érre de Raquel; Ípsilon de York; Ene de navio; Bê de bola; Éle de Lima; A de Ana; Tê de tatu. Foi assim que a vida inteira eu tive que “explicar” meu sobrenome paterno. Mas hoje, não.

Pode parecer bem pouquinho, mas chegar a uma repartição pública e não precisar s-o-le-t-r-a-r Grynblat quase compensou o fato de (ainda) não ter achado o que procurava. Uma sensação de estar em casa – eu que estou há apenas 24 horas no país!

Tradução, por favor?

E não foi apenas uma repartição. Foram três. Com a ajuda de uma polonesa de nome Graça. Graças a ela, cheguei muito perto de conseguir os documentos que procuro.


Finalmente, algo que entendo.

Mas só perto, infelizmente. O que me leva a concluir, com toda a segurança e nenhuma originalidade, que o serviço público guarda incríveis semelhanças – seja ele brasileiro, italiano, português ou polonês.

Nos três postos aos quais compareci, a primeira palavra foi sempre “não”.  E foi só graças à Graça (ops, tô me repetindo) que conseguimos passar do “não” ao “talvez”.

Nº 11, aniversário do meu pai.

Resumo da ópera (cujo teatro, aliás, fica aqui ao lado do hotel) é que deverei preencher uma requisição explicando o porquê de meu interesse nas informações solicitadas (ou seja, por que quero saber onde meu pai nasceu e morou…).

No problem. Já “estou startando” isso. Vou ter que esperar três meses, mas é sempre mais efetivo do que sair perguntando pelas ruas de Varsóvia: – o senhor conheceu o Henryk Grynblat?

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De volta para o passado

Old Town Square

Demorei mais de cinco décadas pra chegar ao lugar de onde escrevo.  Nem mesmo os quase 15 anos vividos na Itália conseguiram me animar a cobrir a curta distância que separa Roma de Varsóvia.  Quando o Gabriel escreveu sobre a visita dele, eu favoritei sem ler: ainda não estava preparada. Depois a Dri também relatou – e o processo foi o mesmo.

Mas a vontade estava lá: eu sabia que mais dia, menos dia a coisa ia acabar acontecendo. E assim foi. Aproveitando uma viagem ao velho  continente, resolvi que era hora.

Old Town Square II

Pedi ajuda ao Riq e aos Trips e, juntando as informações, finalmente aterrissei na terra natal de meu pai. Lugar onde toda a sua família viveu até que a insensatez dos homem a dizimasse. Meu pai só foi poupado porque fugiu na hora certa. Japão, China, depois Brasil.

Vai neve aí?

E nunca falou sobre o passado. Ou falou apenas uma vez – história da qual uma menina de pouco mais de dez anos só conseguiu registrar fragmentos.

Com nada nas mãos, o que fiz foi recorrer a uma espécie de pesquisa.

Antes de vir, escrevi para os órgãos oficiais na tentativa de levantar informação: todo e qualquer tipo de registro relativo a meus avós, meu pai e meus tios. Onde teriam nascido. Onde teriam morado. Em que escola estudaram. O que fizeram no exército. E por aí afora.  Mas as respostas foram menos do que satisfatórias.

Na verdade, não sei exatamente o que eu esperava encontrar. Mas vou contar como é que foi até agora.

A primeira coisa que constatei é que, diferente do que aconteceu na Rússia (onde, depois de um dia, desandei a falar como uma moskovita) aqui não consegui ir além das duas palavras que já conhecia desde a infância: gindobre – bom dia; e giankuia – obrigada.

Cheguei num dia cinza – como imagino seja a maioria dos dias invernais por aqui.  Acúmulo de neve por toda parte; e os varsovianos soterrados por camadas de malhas, casacos e cachecóis.  Acho que eu era a única pessoa sorrindo.

Em pouco tempo, ficou claro que – para obter alguma informação – eu teria que ir ao Arquivo Central. Repartição que obviamente já estava fechada!

Então, por hoje, deixo apenas um mini-fotoblog para atiçar o apetite: um curto passeio que fiz nessa cidade que renasceu das cinzas da guerra tal e qual fora no passado.

Uma emoção difícil de comunicar. A sensação de intimidade que me provoca o pisar o chão que meu pai pisou. E o total estranhamento por não saber nada do que ele tenha feito aqui.

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Per farla breve….

Siga essa placa....

Siga essa placa....

Depois de quatro looongos dias passados na Calábria, mais exatamente em Civita, Castrovillari, Frascineto, Papasidoro e outros municípios dos quais você nunca ouviu falar, chego à conclusão de que a plaquinha que mais me deixou feliz foi mesmo a que aparece nesta foto.

Nota da Redação : apesar de o sistema não mostrar, este post gerou comentários. Para ler, é só clicar Comentários no final do texto.

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De família, canyon e bilinguismo.

pra onde vou exatamente?

pra onde vou exatamente?

Acho que, plagiando o Vnv, hoje vou rodar uma charada.  Como é só uma brincadeirinha (peço a vênia ao Riq),  não vai haver troféu. Mas quem acertar (mesmo fazendo uso de minhas dicas, fotos e informações) ganha minha total admiração.

 

Primeiras impressões

Primeiras impressões

As dicas: viagem bienal com a família, ou parte dela, para o lugar onde a própria começou. De fato, dessa cidadezinha – perto de onde judas perdeu a bota (olhaí, CSI: bota!) – saíram o nonno e a nonna e foram dar com os costados em São Carlos, mais conhecida por Sunca.

A metrópole em todo seu esplendor

A metrópole em todo seu esplendor

A cidade (cidade é modo de dizer) fica situada entre dois mares – embora isso não a transforme num balneário.  Longe disso.  De qualquer maneira, água (doce) é um dos motivos pelos quais o vilarejo é mais conhecido.  O outro é o fato de ela ser uma das poucas cidades bilíngues do país.

 

O marco zero

O marco zero

A água comparece na forma de um canyon (notem meu cuidado, não compartilhado pelos locais, em não acrescentar o adjetivo grand); um canyon, eu dizia, por onde flui um nada caudaloso rio usado no verão para grandes competições aquáticas. E, por competições aquáticas, por favor não entendam kayaking ou rafting ou nenhum outro ing. Trata-se de uma corrida a pé no leito do rio e contra a correnteza!

O ( tá bom) Grand Canyon del Raganello

O ( tá bom) Grand Canyon del Raganello

O bilinguismo, mantido vivo desde o século XVI (e praticado pela maioria dos milhares, desculpe, mil habitantes do município), fica evidente nas placas de trânsito (trânsito?!) e nos cardápios dos vários (mais de um são vários, certo?) restaurantes da cidade.

 

Italiano ou Arbereshe?

Italiano ou Arbereshe?

O fato de a cidade ser um museu a céu aberto não foi suficiente para que administração abrisse mão de abrir um museu. E já que a instituição existe, é entrar e entender, num reduzido espaço de área e de tempo, o que é a história do município desde a imigração albanesa de 1470.

 

Cultura abundante

Cultura abundante

Saindo do museu, por favor olhe para os dois lados: o trânsito frenético pode comprometer seu discernimento e sua capacidade de atravessar a rua com segurança.

 

Antes de atravessar olhe para os dois lados

Antes de atravessar olhe para os dois lados

Bom, isso foi tudo. Terminei o post mas infelizmente o fim-de-semana que passo aqui ainda não terminou! Mentirinha (verdade!) mentirinha (verdade!) mentirinha…

 

Pra não dizer que não falei das flores, oops, frutas

Pra não dizer que não falei das flores, oops, frutas

Nota da Redação : apesar de o sistema não mostrar, este post gerou comentários. Para ler, é só clicar Comentários no final do texto.

 

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Voltando pra casa (que casa, cara pálida?)

Alguém já se emocionou ao ver um aeroporto?

Alguém já se emocionou ao ver um aeroporto?

Pois é…não moro mais em Roma. E, durante esse ano e meio desde que mudei daqui, empurrei esse fato lá pro fundo da cabecinha e não pensei mais nisso.

 

Piazza del Popolo

Piazza del Popolo

Mas agora, hora da viagem bienal com a família, a coisa apertou. Eu tinha que decidir por um hotel, coisa que, em tempos normais, já não é fácil em Roma. Mas, com essa sensação estranha de ter que ir para um hotel e não mais pra casa, eu rejeitava tudo, dos melhores aos piores.

 

Um grupo organizado

Um grupo organizado

Como eram poucos dias, intercalados com outras viagens, não valeria a pena alugar um apê.  Salvou o dia o maridão (sempre ele…) lembrando uma coisa que eu sempre dizia: “o dia em que não morar mais em Roma, quero ficar nesse hotel aqui.”

 

Mica male, no?

Mica male, no?

Como essa só foi a chegada, deixo aqui algumas fotinhos pra quem quiser matar as saudades ou conhecer.  Depois tem mais.

Belezura

Belezura

Tipicamente romano

Tipicamente romano

Arrivederci a presto!

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