Comidinhas com cimento.

Chega o verão, quer dizer, nem chega o verão e os nova-iorquinos enlouquecem. Qualquer pedacinho de verde vira parque ou praia. E quando não tem verde, eles vão de concreto mesmo. A prova maior disso é o Madison Square Eats. Num triângulo de cimento ao lado do Madison Square Park, mais exatamente na intersecção da Broadway, 5a. Avenida e rua 25, concentram-se este mês várias barraquinhas das mais descoladas eateries de New York. E, no pouco espaço que sobra, dezenas de mesas ao sol e ao mormaço inclementes.

 

Parece ser o maior barato, dada a afluência que vi sábado por lá. Mas eu, é claro, só fotografei e passei batido. Nada contra essas iniciativas, que trazem vida e colorido para a cidade. Mas o que não consigo entender é por que alguém comeria ali naquele aperto e naquele sol quando poderia, por exemplo, ir ao Eataly que fica a apenas 50 metros dali. Ou pelo menos curtir a sombra do parque ao lado.

 

A verdade é que, quando se trata de verão, eu não entendo mesmo. Prefiro um bom ar condicionado, de preferência em casa. De qualquer maneira, fica aí o registro da feirinha. Cujo endereço exato, aliás, é Worth Square. Se você gosta de calor, it’s worht it… :lol:

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A 5a. Avenida ficou (ainda) mais doce!

A Lindt acaba de inaugurar, no lado ímpar da 5a. Avenida, o que alguns veículos chamaram de sua “flagship chocolate boutique”.  Bom, mais do que depressa fui lá conhecer. Não, não foi bem assim. Na verdade, passei lá a caminho do teatro. Ainda bem, porque se tivesse ido especialmente teria voltado frustrada.

 

Não que a loja não tenha todas as delícias que o tradicional chocolatier suíço costuma produzir, mas simplesmente porque de “flagship” o endereço não tem nada. É simplesmente mais uma das cinquenta e tantas lojas que a empresa mantém no país. Bem fornida, bem sortida, mas nada de diferente.

 

Flagship ou não, a notícia importante é que agora você tem Lindt nos dois lados da 5a. Avenida: a “antiga” no lado par (número 692); e a nova no lado ímpar (número 665). O que significa que vai ser mais difícil resistir à tentação, pois meu truque de andar só no lado ímpar acaba de ir para o brejo… :wink:

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Restaurante Chinês bom e bonito.

Foto comprada na Dreamstime ®

Como vocês provavelmente já saibam, há milhares e milhares de chineses cursando as várias IT schools dos Estados Unidos. Milhares! Mas infelizmente parece não haver muitos interessados em escolas de gastronomia. Pelo menos é o que se conclui olhando a reduzida lista de chefs e restaurantes chineses na cidade. Bons resturantes, quero dizer, e não botecos incompetentes e anti-higiênicos.

 

Por tudo isso, é com muito apetite, ou melhor, é com muita alegria que passo a falar do Café China, que há alguns meses abriu suas portas na East 37, entre a 5a. Avenida e a Madison. O primeiro impacto é a decoração, cujo tema é Shangai antes da Segunda Guerra. O segundo é a qualidade do cardápio do chef Lu Ziqiang. Cozinha Sichuan, portanto um pouco spiced. Mas só um pouco, para você não perder o sabor dos demais ingredientes.

 

São 75 itens no cardápio: do dim-sum (yummy!) ao pato, passando por coelho, porco, tofu, noodles, vegetais, etc. Com destaque para o tradicional molho ma la e o mapo tofu. Não sou fã de nenhum dos dois, mas os jornais só têm tecido elogios a esses dois staples da cozinha de Sichuan. Para mim, o importante mesmo é ter mais um bom restaurante chinês na ilha. Além de saber que eles têm dim-sum, é claro… :wink:

 

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Japonês offline.

O restaurante japonês Kyo Ya, que está completando cinco anos, não tem website e não pode ser reservado pelo OpenTable. Mas não é só: mesmo no mundo não-virtual, ele é complicado de achar. Primeiro de tudo, porque fica escondido numa espécie de basement. E segundo, porque não tem placa na porta. OK, tem uma placa, mas que diz apenas: Open.

 

Agora, se você conseguir encontrá-lo, vai-se dar muito bem. Primeiro (acho que já usei “primeiro” há pouco) porque é bonito. Segundo (acho que também já usei “segundo” há pouco) porque é bom. Estou, é claro, vendendo o peixe como eu comprei.  Mesmo porque, não sei se vocês sabem, eu odeio peixe. Mas nem por isso deixo de recomendar o local, que só tem arrancado elogios das colunas especializadas.

 

Todo de madeira, staff simpaticíssimo, respeitador das estações do ano (coisa rara em Manhattan) e com um cardápio tão repleto de iguarias que fica difícil escolher. É o que dizem os experts do ramo. Se eu gostasse de japonês, quer dizer, de restaurante japonês, iria correndo. E ia ficar muito braba se não encontrasse…

 

Se você está a fim tentar, aqui vai o endereço: 94 East Seventh Street. Boa sorte. E bom apetite! :wink:

 

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Um restaurante chinês para gente grande. Quer dizer, para bolso grande.

Como o abrindoobico já tinha antecipado aqui, acaba de abrir as portas em Manhattan o sofisticado Hakkasan. Essa badalada griffe chinesa foi criada em Londres e se esparramou pela Ásia e Oriente Médio. Agora, com uma escala em Miami Beach, chega finalmente a New York. Na 311W 43rd Street. Quer dizer, no meio da bagunça de Times Square.

 

Mas é só entrar no Hakkasan para o clima mudar. Tudo de muito bom gosto, a começar da decoração. Dizem que a casa gastou em torno de 10 milhões de dólares num espaço que acomoda 200 pessoas. Um dinheiro que obviamente eles esperam receber de volta.

 

E pelos preços do cardápio, a coisa não vai demorar muito. Sério, tem prato chegando perto dos mil dólares! Estamos fora, certo? Mas há alternativas: o que o menu chama de Small Eats. De fato, se ficarmos nessa seção do cardápio, dá até para encarar. Mas não sai barato, não.

 

Então fica aí a dica. E como li recentemente que o “experiential consumer” (que está mais interessado em adquirir sensações) é mais feliz do que o “materialistic buyer” (que só quer comprar stuff), talvez seja mesmo o caso de reservar o Hakkasan. Como já diziam nossos sábios avós: mais vale um gosto do que seis vinténs…

 

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Restaurante Buenos Aires. Com pratos muy Buenos.

A casa já tem anos de estrada, e só estou falando dela porque não é fácil achar uma carne em New York “do jeito que a gente gosta”.  O Buenos Aires resolve o problema. Eu sei que ninguém sai do Brasil, onde há milhares de churrascarias, para vir comer carne em New York. Mas às vezes pode bater uma vontade, não é? Mesmo que você esteja aqui há poucos dias. E se você mora aqui então, a vontade é permanente. Pelo menos para mim, carnívora que sou. Ou mais exatamente, picanhívora.

 

Mas estou saindo do assunto. Vamos voltar ao Buenos Aires. Claro que o cardápio teve que fazer uma concessão ou outra ao gosto local, mas sem perder a identidade. Está tudo lá: do jamon às papas fritas, passando por empanadas, chorizo, morcillas, asado de tira, e por aí afora, até o glorioso dulce de leche da sobremesa.

 

Os preços, bastante bons. E a carta de vinhos também, me disseram (já que não entendo nada de vinho…).  A localização é a chamada Alphabet City, um lugar que não costuma estar no mapa da maioria dos turistas. Mas que também não é assim fora de mão. E quando bate a vontade de carne, então, fica mais pertinho ainda!

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É chinês, é minúsculo, e tem fila na porta.

Sabe o que acontece quando um dos melhores chefes chineses de Manhattan se junta com um dos melhores restaurateurs do pedaço? Surge um restaurante como o RedFarm. Uma graça de lugar e, o que é mais importante, com um cardápio que está atraindo multidões. Tá bom, “multidões-inhas”. Já aviso que não é um chinês tradicional. O chef Joe Ng (exato, o sobrenome não tem vogal) é criativo demais para se ater à cozinha tradicional.

Tirando isso, o que você encontra no RedFarm são os mesmos features que costumamos encontrar em Chinatown, que aliás não fica muito distante da nova casa: dumplings, duck, rice, noodles, etc. Só que feitos com extrema competência e com ingredientes que fazem você se surpreender um pouco com o lado direito do cardápio. Mas é a velha história: qualidade custa mais caro.

É só se munir de coragem (pois a casa não aceita reserva), bater ponto bem cedo, e depois de deliciar com as criações do Ng (para mim, parece que falta alguma letra no nome). A começar do Dim Sum. Na verdade, eu começaria e terminaria com o Dim Sum… :wink:

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Antes de escolher um restaurante, consulte o “higienômetro”!

Ainda não é um app, mas já é de grandíssima utilidade: a web page do NYT dedicada ao “New York Health Department Restaurant Ratings Map”.  Do que se trata? Um mapa interativo com a avaliação atualizada de todos os aproximadamente 24.000 locais de New York. Restaurantes, bares, cafés, delicatessens, confeitarias, etc, etc. Está tudo lá.

 

Basta você inserir o nome do local: o site lhe dá a categoria que ele ocupa no ranking de higiene criado pela prefeitura (A, B ou C) e também as violações que ocorreram após essa classificação.

Aviso desde já que muita das infrações se devem a exigências absurdas por parte do departamento de higiene. Mas há também coisas graves, do tipo rato da cozinha. Deus me livre! :shock:

 

O mais importante, na minha opinião, é que o local tenha o grau A. Isso sem dúvida já é um bom cartão de visita. Depois vêm as violações. Se for coisa do tipo “a temperatura do sorvete estava muito alta” podemos tranquilamente ignorar. Se for algo mais grave, tipo o que relatei acima e prefiro não repetir, então mantenha distância.

 

Ah, sim, os graus também mudam. Não vou citar nomes, pois está tudo no site, mas para mim foi uma (má) surpresa saber que um dos meus locais preferidos foi rebaixado para B. E com violações mais próximas de X, Y, Z…

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