Viagem à Itália da Virgínia.

Impactada pelos números de audiência deste blog (rsrs), a Virgínia me deu a honra de postar aqui sua viagem pra Itália.   A lei la parola.

Após um gostinho da Europa ano passado, quando conhecemos Paris e Madri no finalzinho do inverno, eu e o marido resolvemos conhecer algumas cidades da Itália.

Na verdade, esta viagem deveria ter sido feita somente no ano que vem, pois meu filho casou-se agora em setembro e a despesa, bem como o stress, foram medonhos… Mas quando eu coloco um plano na minha cabecinha, não sossego – e afinal de contas, era pra comemorar minha aposentadoria!

Solução encontrada: mochilão “chic”! Foram quase três semanas (demos uma passadinha de 4 dias em Paris pra matar as saudades) em que provamos que, definitivamente, a vida começa aos 40, pois nossa vitalidade foi de adolescentes.

Depois de ter conhecido o charme do inverno parisiense, foi muito bom rever a cidade numa temperatura agradável para nós, brasileiros, e não ter compromisso de conhecer lugares, e sim desfrutar da cidade do modo mais slow possível.

Chegamos a Veneza, primeiro destino da nossa temporada italiana, pela Air France. Estávamos tão deslumbrados com a cidade que nem nos importamos tanto com a caminhada de uns 15 minutos até o hotel, arrastando as malas pelas pontes e ruas acidentadas. Veneza é uma cidade realmente fascinante, como você pode ver por aqui:

 

Quant'è bella Venezia!

Quant'è bella Venezia!

Foi com certeza a cidade em que melhor comemos na Itália. Nossa alimentação é à base principalmente de peixes e saladas, então fizemos a festa. Primeiro jantar, chegamos à trattoria indicada pela recepcionista do hotel, Ae 3 Soree, bem típica, garçonetes falando muito pouco inglês. Olhei o cardápio e descobri pesce a la griglia (grelhado), preço razoável – 24 euros para duas pessoas. Pedimos contorni (acompanhamentos, legumes) e insalata, felizes da vida.Só que a porção para dois na verdade serviria uns quatro: três peixes enooooormes, atum e polvo. Tudo bem, valeu a lição, aprendemos logo em nossa primeira refeição que os italianos são fartos, as porções são muitas vezes suficientes para dois, então em várias ocasiões dividíamos alguma coisa. Outra trattoria BBB que experimentamos foi a Casa Mia, onde comi um salmão maravilhoso.

 

 

Gente, vou ter que confessar. Amei Veneza mas depois de algum tempo andando, ( porque sim, nos 2 dias em que ficamos lá conseguimos a façanha de nos perder em TODAS as vezes em que deixamos o hotel), a coisa começava a me irritar, ou melhor, os meus pés é que gritavam.

 

Anoitecendo...

Anoitecendo...

Segundo destino, Dolomiti, vilinha de Ortisei (copiado do roteiro do, dica valiosa), olha só que lindinho:

 

 

Da janela do hotel

Da janela do hotel

Chegamos à cidade junto com uma frente fria, devia estar uns 10º C, e chuviscava. Bem na nossa frente, o Café Haiti, local de um tremendo momento Ofélia. Pedi capuccino com panna, pois queria uma coisinha leve pra poder jantar mais tarde. Veio o capuccino e eu fiquei aguardando, certa de que panna era pão – tolinha…

Teve um outro mico bem básico, não imprimi o e-mail de confirmação da reserva do B&B, feita com 6 meses de antecedência, e não sabia o nome da rua do hotel. E ninguém conhecia o Garni Rives por ali. Coisas de adolescentes…

No hotel, num raro momento de pausa.

No hotel, num raro momento de pausa.

 

Fomos em seguida a Florença, lugar adorável, onde aproveitei também pra conhecer Siena e Pisa. Siena é muito bem preservada, ruelas e becos nos transportam para o passado, vejam:

 

ruazinhas charmosas

ruazinhas charmosas

Visitando Florença, não deixem de ir à Piazza Michelangelo, apreciar sua bela vista da cidade, e relaxar. Tem ônibus que te deixa lá em cima, mas se você tiver disposição vá a pé mesmo, é gostoso. Só conto pra vocês que essa minha temporada na zoropa fez o que seis meses de dieta não tinham conseguido…

Falando em comida, duas indicações de restaurante, a Antica Trattoria da Tito (Via San Gallo, 122), próxima à Piazza San Marco, super típica, ambiente prá lá de alegre, garçons atenciosos, comida boa e barata. Para almoço, próximo à Piazza Michelangelo, tem o Zoe (Via dei Renai, 13), decoração jovem e clean, serviço bem rápido.

Finalmente, Roma, que já começou bem por ter sido a primeira estação de trem onde conseguimos carregador, nas outras não vi nem carrinho para as malas, caramba! Toda vez que estava nas estações de trem da Itália tinha saudades da organização e limpeza do Canadá. Banheiros das estações de cidades menores sempre meio sujinhos.

Il Colosseo

Il Colosseo

Amei Roma, suas piazzas e fontanas grandiosas (pena que esteja tudo tão lotado sempre, dia e noite), o Museu do Vaticano foi o de que mais gostei nessa viagem, dentre tantos maravilhosos.

Quer pagar pra tirar uma foto com o "gladiador"?

Quer pagar pra tirar uma foto com o "gladiador"?

Pra fechar a viagem, momento Ofélia total na cantina ao lado de meu hotel, onde fui pedir um café da manhã tardio (eram 11 h). A moça, romena, falava pouco inglês e euzinha queria aproveitar para utilizar minhas palavrinhas em italiano, então pedi formaggio, caffe latte, succo di arancia e panne, ao que ela me informou não ter pão, daí soltei esta: “un cornuto”. E ela foi tão legal que corrigiu pra corneto sem rir…

 

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Diógenes e o homem honesto.

Onde tudo aconteceu

Onde tudo aconteceu

Como a história abaixo merecia ser contada, pedi que o maridão a escrevesse.

Todo mundo conhece a história de Diógenes, filósofo grego do sec. 4 AC: em plena luz do dia ele costumava caminhar por Atenas, com uma lanterna nas mãos, à procura de um homem honesto. Seguinte, Diógenes: hoje encontrei um.

Chegando a Paris no meio da tarde, tomei um taxi do aeroporto pra Saint Germain. E na hora de pagar a corrida – aflito com o congestionamento que se formava na rua estreita – desci rápido e esqueci minha mochila no banco! E, dentro da mochila, todos meus documentos, cartões de crédito, cartões de débito, agenda, equipamentos eletrônicos, o diabo.

Ao dar pela coisa, obviamente quando o taxi já tinha desaparecido de vista, quase tive uma síncope. Pior de tudo (sempre pode ser pior) é que não havia pedido recibo – o que eliminava qualquer tentativa de localizar o veículo. Mas, no desespero, tentei fazer alguma coisa com a ajuda de dois amigos, embora o esforço me parecesse meio inútil: ligar para uma cooperativa de taxi (sem nenhuma garantia de que fosse a do carro em questão) e perguntar sobre um Toyota preto que saíra 1 hora atrás do aeroporto de Orly em direção a Saint Germain.

Feitos os dois telefonemas, me coloco diante do prédio à espera de um milagre: a cooperativa localizar o carro, o motorista se interessar em voltar, a mochila ainda estar lá, etc, etc.

Bom, enquanto penso em tudo isso, toca meu celular americano! Do outro lado da linha, o motorista (falando um pouco de inglês e um pouco de francês) explica que encontrou minha mochila e revirou os documentos até achar meu número de telefone! Aleluia. Em dez minutos, chega ele com a mochila nas mãos.

E conta sua história: depois de nos deixar, havia levado um novo passageiro até um hotel de Montparnasse. Assim que o passageiro desceu, ele (motorista) descobriu a mochila. Ato contínuo, estacionou o taxi e correu para o hotel na tentativa de devolver a bolsa para o distraído passageiro. Que felizmente a recusou, dizendo não ser  de sua propriedade. Diante disso, não restava outra saída ao motorista senão “fuçar” nos documentos e encontrar meu telefone.

Bem, agradeci-o 50 vezes e procurei recompensá-lo pelo esforço. Depois de despedirmo-nos entre sorrisos, entrei no prédio. Olhei rapidamente a mochila (não o fizera no momento) e me pareceu tudo em ordem.

Passados 20 minutos, decido sair para a rua. E quem encontro na porta? De novo, o motorista! Para melhor vasculhar na mochila, ele havia retirado uma pasta de plástico e colocado no banco. Dentro dela, eu guardava uma série de documentos e também meu talão de cheques… Ele se desculpou por sua falha (imaginem!) e disse que agora não faltava mais nada.Novos apertos de mãos e agradecimentos.

Com a pasta na mão, reentrei no prédio e não pude deixar de pensar em Diógenes. Não sei que resultado o filósofo teve em Atenas, mas hoje, em Paris, eu encontrei um homem honesto.

 

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Onde foi parar Amsterdam?

Pedalar por Amsterdam vai ficar pra outra vez

Pedalar por Amsterdam vai ficar pra outra vez

Como costuma acontecer nas melhores viagens, a minha também sofreu uma mudança de planos. Em poucas palavras, Amsterdam dançou. 

De qualquer maneira, aí vai uma fotinho pra matar a saudade e funcionar como tira-gosto para a próxima viagem. E, já que falei em tira-gosto, não posso deixar de falar na Mariana.  Ela não só ficou triste de eu não ir à Holanda, como também lamentou o fato de eu estar perdendo a oportunidade de saborear “seu” famoso croquete.  A coisa só não pesou mais porque estou indo pra Paris – destino que, segundo a Mariana, me exime de qualquer reprimenda adicional.

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Todos os caminhos levam a Roma – principalmente a Rodovia A1.

Benvenuti a Roma!

Benvenuti a Roma!

A grande vantagem de passar alguns dias na Calábria – e não vai neste comentário nenhum julgamento de valor – é fruir todo o resto da viagem com muito mais prazer de quanto você esperasse. E se o seu roteiro inclui esse ponto de beleza extraordinária que é Roma, a coisa fica ainda mais evidente. Aqui é muito fácil concluir que “la vita é veramente bella”

Que tal uma passeggiata?

Que tal uma passeggiata?

E como só tínhamos 3 dias pra matar a saudade de mais de 1 ano – de pessoas e lugares – tratamos de fazer o tempo render.

Aqui repousa a Margherita. Aquela da pizza.

Aqui repousa a Margherita. Aquela da pizza.

Revisitamos lugares preferidos; revimos amigos; voltamos aos restaurantes prediletos, sendo sempre recebidos com muito carinho.

Uma das figuras de Bernini "segurando" a igreja de Borromini

Uma das figuras de Bernini "segurando" a igreja de Borromini

Ah, sim, desnecessário mencionar que algumas comprinhas foram feitas. Ou melhor, várias.

Compras

Você vai a Roma pra ver ruínas, mas em ruína voltam os cartões de crédito

Mas passei longe das lojas acima. Mesmo porque meu budget fica muito abaixo.

Em Roma há tempo para tudo: pinacotecas e enotecas.

Em Roma há tempo para tudo: pinacotecas e enotecas.

Foram dias de muitas emoções – algumas boas, outras nem tanto. Mas foi, acima de tudo, uma oportunidade de encontrar/apreciar coisas belas, algumas das quais divido com vocês.

Via della Conciliazione

Via della Conciliazione

Um Vicolo. Traduzindo em miúdos, uma ruela.

Um Vicolo. Traduzindo em miúdos, uma ruela.

Acordei às 6hs pra fazer essa foto...

Acordei às 6hs pra fazer essa foto...

E pra ter certeza de que volto mesmo…..

Jogando dinheiro fora...

Jogando dinheiro fora...

Apesar da recente proibição, joguei minha moedinha na Fontana di Trevi, garantindo – como diz a lenda – minha volta à cidade.

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Per farla breve….

Siga essa placa....

Siga essa placa....

Depois de quatro looongos dias passados na Calábria, mais exatamente em Civita, Castrovillari, Frascineto, Papasidoro e outros municípios dos quais você nunca ouviu falar, chego à conclusão de que a plaquinha que mais me deixou feliz foi mesmo a que aparece nesta foto.

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De família, canyon e bilinguismo.

pra onde vou exatamente?

pra onde vou exatamente?

Acho que, plagiando o Vnv, hoje vou rodar uma charada.  Como é só uma brincadeirinha (peço a vênia ao Riq),  não vai haver troféu. Mas quem acertar (mesmo fazendo uso de minhas dicas, fotos e informações) ganha minha total admiração.

 

Primeiras impressões

Primeiras impressões

As dicas: viagem bienal com a família, ou parte dela, para o lugar onde a própria começou. De fato, dessa cidadezinha – perto de onde judas perdeu a bota (olhaí, CSI: bota!) – saíram o nonno e a nonna e foram dar com os costados em São Carlos, mais conhecida por Sunca.

A metrópole em todo seu esplendor

A metrópole em todo seu esplendor

A cidade (cidade é modo de dizer) fica situada entre dois mares – embora isso não a transforme num balneário.  Longe disso.  De qualquer maneira, água (doce) é um dos motivos pelos quais o vilarejo é mais conhecido.  O outro é o fato de ela ser uma das poucas cidades bilíngues do país.

 

O marco zero

O marco zero

A água comparece na forma de um canyon (notem meu cuidado, não compartilhado pelos locais, em não acrescentar o adjetivo grand); um canyon, eu dizia, por onde flui um nada caudaloso rio usado no verão para grandes competições aquáticas. E, por competições aquáticas, por favor não entendam kayaking ou rafting ou nenhum outro ing. Trata-se de uma corrida a pé no leito do rio e contra a correnteza!

O ( tá bom) Grand Canyon del Raganello

O ( tá bom) Grand Canyon del Raganello

O bilinguismo, mantido vivo desde o século XVI (e praticado pela maioria dos milhares, desculpe, mil habitantes do município), fica evidente nas placas de trânsito (trânsito?!) e nos cardápios dos vários (mais de um são vários, certo?) restaurantes da cidade.

 

Italiano ou Arbereshe?

Italiano ou Arbereshe?

O fato de a cidade ser um museu a céu aberto não foi suficiente para que administração abrisse mão de abrir um museu. E já que a instituição existe, é entrar e entender, num reduzido espaço de área e de tempo, o que é a história do município desde a imigração albanesa de 1470.

 

Cultura abundante

Cultura abundante

Saindo do museu, por favor olhe para os dois lados: o trânsito frenético pode comprometer seu discernimento e sua capacidade de atravessar a rua com segurança.

 

Antes de atravessar olhe para os dois lados

Antes de atravessar olhe para os dois lados

Bom, isso foi tudo. Terminei o post mas infelizmente o fim-de-semana que passo aqui ainda não terminou! Mentirinha (verdade!) mentirinha (verdade!) mentirinha…

 

Pra não dizer que não falei das flores, oops, frutas

Pra não dizer que não falei das flores, oops, frutas

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Voltando pra casa (que casa, cara pálida?)

Alguém já se emocionou ao ver um aeroporto?

Alguém já se emocionou ao ver um aeroporto?

Pois é…não moro mais em Roma. E, durante esse ano e meio desde que mudei daqui, empurrei esse fato lá pro fundo da cabecinha e não pensei mais nisso.

 

Piazza del Popolo

Piazza del Popolo

Mas agora, hora da viagem bienal com a família, a coisa apertou. Eu tinha que decidir por um hotel, coisa que, em tempos normais, já não é fácil em Roma. Mas, com essa sensação estranha de ter que ir para um hotel e não mais pra casa, eu rejeitava tudo, dos melhores aos piores.

 

Um grupo organizado

Um grupo organizado

Como eram poucos dias, intercalados com outras viagens, não valeria a pena alugar um apê.  Salvou o dia o maridão (sempre ele…) lembrando uma coisa que eu sempre dizia: “o dia em que não morar mais em Roma, quero ficar nesse hotel aqui.”

 

Mica male, no?

Mica male, no?

Como essa só foi a chegada, deixo aqui algumas fotinhos pra quem quiser matar as saudades ou conhecer.  Depois tem mais.

Belezura

Belezura

Tipicamente romano

Tipicamente romano

Arrivederci a presto!

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Quando Chartres e New York se encontram em Paris

Quando duas Trips se encontram em Paris

Quando duas Trips se encontram em Paris

Num encontro marcado, desmarcado e marcado de novo -quer dizer, plusieurs fois – eis que, finalmente, numa linda tarde desse outono parisiense consigo dar um passeio com a Martinha.

Horas de diálogos internéticos  traduziram-se por fim  numa agradabilíssima tarde de troca de figurinhas num velho e bom papo de verdade.

Quem sabe semana que vem tenha mais – afinal Chartres fica a um pulinho daqui.

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